sábado, 7 de novembro de 2009

tiro certeiro

perfumes confundiram-me o olfacto, e os olhos, verdes de esperança posicionaram-se num horizonte capaz de construir maravilhas, sonhos, e outros desejos intrínsecos.
quase tudo, tudo, quando estava a chegar ao limiar da realidade, soou o som da fronteira. o tiro certeiro! as luzes apagaram. o silêncio aumentou até ao máximo. a paz vestiu o branco da inocência e este dia findou. este dia, este momento dúbio e hipotecado um futuro chorou.
as lágrimas são cores poluídas que embaraçam o rosto desesperado, um tiro certeiro, apenas um, fez melhor que uma vida inteira de luta, de dor. adeus que morri!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

crónica do adeus ao paulo bento

hoje foi anunciado, finalmente, o adeus do paulo bento no comando técnico da equipa profissional do sporting. e escrevi finalmente, porque, as pressões foram intensas e vieram de todos lados. parabéns para os que tudo fizeram para conquistar este feito, agora, tem-no.
na minha opinião, que para esta crónica conta e muito, fizeram mal. sou um fã deste treinador e defendo que, nas mesmas circunstâncias dificilmente alguém faria melhor. o tempo mostrará se tenho ou não razão. agora, a demissão, está consumada.
na hora do adeus, a memória fica fria e distante, ninguém se recorda dos primórdios quando era necessário um treinador, relativamente barato e com uma estrutura acessível, para que, com a prata de casa, conseguisse segurar as pontas. os resultados, no meu parecer e com as realidades da equipa nestes anos, foram fantásticos.
mas o povo não quer saber de gestões reais, de futebol progressivo ou ainda da formação, o que o povo quer, são vitórias e não importa o preço, que por ego próprio ou por puderem gozar com o rival no dia-a-dia, tudo vale, nem que o futuro do clube se hipoteque. vale tudo e tudo vale!
mas ainda mais triste, e na sequência da memória fria e distante, é o facto de na hora do adeus não reconhecerem o trabalho deste homem, e quando não se reconhece, não se agradece.
melhor sorte merecia paulo bento. o homem e o grande profissional que agora abandona a casa do leão. é que assim, com estas atitudes e estes princípios, o clube nunca saberá crescer, logo, esta saga dos adeptos se repetirá, mudando apenas os rostos da vítima.
na hora do adeus, segue através destas linhas, o meu agradecimento pelo bom trabalho desenvolvido durante tanto tempo e em simultâneo o pedido de desculpas ao ex-treinador por vivermos numa sociedade desportiva tão cruel e injusta.
quando paulo bento for um treinador de sucesso, já os críticos morreram com o tempo, com a evidência ou se esconderam com a vergonha, que a sua cara não revê.
o tempo apaga tudo, menos a coerência, onde nunca existiu. e nesta hora difícil para paulo bento, nesta hora do adeus, quero que saiba que há quem o reconheça, o compreenda e continue do seu lado.
agora, venha a próxima vítima, que os contestatários já esfregam as mãos de contente e a alma de escárnio e maldizer, por o findado, e toda esperança do mundo pelo vindouro.

hoje é um dia triste, tão triste, que tamanha tristeza escurece o futuro!

josé antónio grilo
06/11/2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

amanhece

os meus olhos amanhecem junto as pedras da calçada e a minha boca desespera por uma lágrima de ti. morri já de madrugada porque não resisti aos momentos de solidão. entre a noite e este novo dia, só a morte nos fará ouvir as últimas lamúrias que expeli. este corpo usado, cansado, e inerte espera por alguém que desconhece. ali estanque. amanhece e a morte sorri. todas manhãs, a partir de agora, serão frias. os meus olhos são pedras que calçam o presente e nada mais acontece. nada. apenas amanhece.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

nada

sou um todo de nada
em que nada de nada serve
sou assim, entre quatro letras, um nada
sem que tenha essa consciência

brinco com a verdade da vida encantada
mas a minha realidade é somente nada

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

despi

hoje despi a palavra
devagar, suavemente, a sós
num silêncio brando
a noite, espertina, desenhou-se

fizemos amor
e nasceu o sonho

terça-feira, 27 de outubro de 2009

perdido

já não sei gritar
se gritar é esforçar a voz
já não sei falar
se falar é esforçar o destino

já não sei viver
se viver é andar iludido

sei-me perdido!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

adeus

direcciono as estrofes
ambíguas nortadas
que ambicionam um despertar
quase destemido

não procuro ventos nem acentos
para dizer-te adeus


e no adeus há um coração destroçado
uma lágrima na distância da viagem
que o regalo descobre e desperta
e no adeus mora um pensamento

entre o voltar e ter que dizer
adeus! há a emoção perdida