não me tentes! desistirei de tudo. de todas as loucuras. seguirei os caminhos que ninguém seguiu e não voltarei para contar-vos.
desistirei dos amores-perfeitos, das carícias ou dos lugares-comuns. esconderei os passos, as roupas com os bolsos que guardarem as recordações e as manias de acreditar em nós.
arrumarei as loucuras que juntos consumimos num lugar de nenhum. e nos caminhos plantarei barreiras e escavarei roços, fossos e todas as densidades para enterrar os momentos de cada tempo caído. nas chuvas verás as minhas lágrimas, talvez de arrependimento, verás as tuas também, talvez de saudades, mas nada se poderá alterar porque há caminhos sem retorno.
não voltarei!
adeus
a deus
a d eu s
a d eus
segunda-feira, 5 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
o regresso
uma camisa despida
no momento ofegante
da luta arcaica
suores de prazeres
da consciência do regresso
no momento ofegante
da luta arcaica
suores de prazeres
da consciência do regresso
segunda-feira, 29 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
coisas da vida (in)comum
tenho no mar o meu alimento
que o olhar absorve
e no céu a esperança
num voo do pássaro
e na terra tenho a morte escondia
que me espera, pacientemente.
que o olhar absorve
e no céu a esperança
num voo do pássaro
e na terra tenho a morte escondia
que me espera, pacientemente.
sábado, 13 de março de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
arcano
enigma
ciente da larvas
das epopeias negras
ergo-me no espaço
olhos nos olhos
defrontarei cada enigma
ciente da larvas
das epopeias negras
ergo-me no espaço
olhos nos olhos
defrontarei cada enigma
sábado, 6 de março de 2010
Crítica literária – um espaço onde se expõe o que se leu.
Livro: Para além do tempo
Género: Contos
Autor: José Ilídio Torres
Editora: Temas Originais
Preço: 10 €
Análise:
Neste livro, “Para além do tempo” podemos encontrar nove contos, cada um com vida própria e por isso, com uma personalidade única.
Com um início do livro bastante cativante, o conto – A rapariga que falava com o vento – veste uma prosa poética que descreve com amor a vida da personagem principal, rodeada de belas imagens, que o autor constrói com precisão digna de um cirurgião.
Depois vem – Rio do Esquecimento – um conto que nos faz viajar pelo tempo e nos aquece a memória para nos lembrar que em cada espaço já houve outro espaço e outro tempo. É um conto dinâmico e que trespassa vários tempos.
No conto seguinte – O homem que só sabia falar verdade – é uma missiva fundamental, imprevisível, que toca-nos fundo e, quanto a mim, termina de uma forma soberba. Ninguém ficará indiferente a este belíssimo conto.
– A velha senhora dos gatos – o autor aborda de uma forma sintética dois mundos, o da personagem principal e o social de uma era, com a magia das palavras, bem trabalhadas, que enquadram o leitor.
– A casa encantada – é um conto longo, com identificações aos tempos, ao norte e aos costumes de um povo.
Segue-se – Déjà vu – onde podemos viver um tempo longínquo e em simultâneo um tempo actual, tal é o enfoque que o personagem principal se vê envolvido, levando consigo o leitor num conto longo que daria um excelente romance se o autor quisesse desenvolve-lo. Tudo isto, sustentado por uma escrita fantástica.
– A estranha história de Júlio Chuva – é mais um jogo do autor onde envolve o tempo, toca em rituais estremecidos e desenha uma mutação fabulosa.
Novo conto em – Zé Tempo – preenchido de imagens, creio que daria um excelente filme, onde se viaja nos três tempos; passado, presente e futuro, desta narrativa contada na primeira pessoa.
No último conto – A mão de Helena – o autor confecciona uma história de amor, sempre entre os tempos, com um aliciante jogo de coincidências ou talvez não, da vida que podia ser a de qualquer um.
Senti este livro com um livro pensado ao pormenor, trabalhado exaustivamente, e com uma escrita de grande qualidade onde se consegue, obrigatoriamente, acrescentar ao leitor uma sensação de “valeu a pena” e de grande prazer. Provam-no algumas passagens:
“E quando tentou erguer-se, rodaram na sua cabeça roldanas de uma engrenagem desconhecida, accionando sinos sem dó que lhe baldaram sem agrado.
Vomitou cobras que desapareceram rápidas. Um sapo gordo riu-se na fronteira do possível.” – Excerto do conto: A mão de Helena – o último conto.
Ou em outro registro:
“Uns seios redondos que tinham neles as formas dos montes, adolescentes com sempre serão as formas da terra, em perpétua mudança, em constante devir, fosse dada aos homens a fortuna da vida eterna para o poderem observar.” – Excerto do conto: A rapariga que falava com o vento – o primeiro conto.
Para finalizar, na minha perspectiva, este livro para além do prazer de lê-lo é um excelente incentivo, quer a leitura quer a escrita, e de uma forma subtil ensina-nos a técnica de escrever contos fabulosos. É de leitura obrigatória.
Grato por lerem o que escrevi.
José António Grilo
(GE3)
2010-03-06
Género: Contos
Autor: José Ilídio Torres
Editora: Temas Originais
Preço: 10 €
Análise:
Neste livro, “Para além do tempo” podemos encontrar nove contos, cada um com vida própria e por isso, com uma personalidade única.
Com um início do livro bastante cativante, o conto – A rapariga que falava com o vento – veste uma prosa poética que descreve com amor a vida da personagem principal, rodeada de belas imagens, que o autor constrói com precisão digna de um cirurgião.
Depois vem – Rio do Esquecimento – um conto que nos faz viajar pelo tempo e nos aquece a memória para nos lembrar que em cada espaço já houve outro espaço e outro tempo. É um conto dinâmico e que trespassa vários tempos.
No conto seguinte – O homem que só sabia falar verdade – é uma missiva fundamental, imprevisível, que toca-nos fundo e, quanto a mim, termina de uma forma soberba. Ninguém ficará indiferente a este belíssimo conto.
– A velha senhora dos gatos – o autor aborda de uma forma sintética dois mundos, o da personagem principal e o social de uma era, com a magia das palavras, bem trabalhadas, que enquadram o leitor.
– A casa encantada – é um conto longo, com identificações aos tempos, ao norte e aos costumes de um povo.
Segue-se – Déjà vu – onde podemos viver um tempo longínquo e em simultâneo um tempo actual, tal é o enfoque que o personagem principal se vê envolvido, levando consigo o leitor num conto longo que daria um excelente romance se o autor quisesse desenvolve-lo. Tudo isto, sustentado por uma escrita fantástica.
– A estranha história de Júlio Chuva – é mais um jogo do autor onde envolve o tempo, toca em rituais estremecidos e desenha uma mutação fabulosa.
Novo conto em – Zé Tempo – preenchido de imagens, creio que daria um excelente filme, onde se viaja nos três tempos; passado, presente e futuro, desta narrativa contada na primeira pessoa.
No último conto – A mão de Helena – o autor confecciona uma história de amor, sempre entre os tempos, com um aliciante jogo de coincidências ou talvez não, da vida que podia ser a de qualquer um.
Senti este livro com um livro pensado ao pormenor, trabalhado exaustivamente, e com uma escrita de grande qualidade onde se consegue, obrigatoriamente, acrescentar ao leitor uma sensação de “valeu a pena” e de grande prazer. Provam-no algumas passagens:
“E quando tentou erguer-se, rodaram na sua cabeça roldanas de uma engrenagem desconhecida, accionando sinos sem dó que lhe baldaram sem agrado.
Vomitou cobras que desapareceram rápidas. Um sapo gordo riu-se na fronteira do possível.” – Excerto do conto: A mão de Helena – o último conto.
Ou em outro registro:
“Uns seios redondos que tinham neles as formas dos montes, adolescentes com sempre serão as formas da terra, em perpétua mudança, em constante devir, fosse dada aos homens a fortuna da vida eterna para o poderem observar.” – Excerto do conto: A rapariga que falava com o vento – o primeiro conto.
Para finalizar, na minha perspectiva, este livro para além do prazer de lê-lo é um excelente incentivo, quer a leitura quer a escrita, e de uma forma subtil ensina-nos a técnica de escrever contos fabulosos. É de leitura obrigatória.
Grato por lerem o que escrevi.
José António Grilo
(GE3)
2010-03-06
para a mar.
“é como descer ao mar e encontrar só areia”. buscar uma bússola que ponha termo à exaustão de estar perdida, funda, no marasmo dos lírios esquecidos. oh! flores do meu canteiro que dão tanta cor ao erro do meu olhar…
o meu deserto dos sentidos é algo que se esconde entre as pedras da calçada quando os meus pés passam desenfreados à procura d´um norte. de uma outra casa. desse caminho que me levasse à praia, porque queria ir para o mar, perder-me em ondas cristalinas que lavem o meu corpo podre, e só a areia, molda o meu passado desenhado aos pares.
um gesto violento pára o despertador e dá vida ao outro eu!
se o silêncio te falar do meu sonho, responde-lhe com o olhar.
o meu deserto dos sentidos é algo que se esconde entre as pedras da calçada quando os meus pés passam desenfreados à procura d´um norte. de uma outra casa. desse caminho que me levasse à praia, porque queria ir para o mar, perder-me em ondas cristalinas que lavem o meu corpo podre, e só a areia, molda o meu passado desenhado aos pares.
um gesto violento pára o despertador e dá vida ao outro eu!
se o silêncio te falar do meu sonho, responde-lhe com o olhar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
I
I
esgaço o amansar das palavras
repudio o tenaz ludibrio
como um combatente feroz
sobre-me um límpido brio
desta solidão atroz
esgaço o amansar das palavras
repudio o tenaz ludibrio
como um combatente feroz
sobre-me um límpido brio
desta solidão atroz
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
líquen
também seres vivos são, mas preferem a simplicidade da simbiose de um organismo formado por um fungo, invés, não andam a engodar ou a pintar cenários de guerrilha.
vivem nas árvores mas dos ramos não fazem armas de arremesso a quem lhes afronte com palavras vítreas. sim! preferem, os outros vírus, o regaço das polidas palavras mentirosas.
e no fim, tudo se resume, como alguém disse, ao sexo, mentiras e vídeo – ou o mesmo será dizer… um estranho relacionamento!
hoje voltei para fazer o compêndio deste local onde sobrevivo
vivem nas árvores mas dos ramos não fazem armas de arremesso a quem lhes afronte com palavras vítreas. sim! preferem, os outros vírus, o regaço das polidas palavras mentirosas.
e no fim, tudo se resume, como alguém disse, ao sexo, mentiras e vídeo – ou o mesmo será dizer… um estranho relacionamento!
hoje voltei para fazer o compêndio deste local onde sobrevivo
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
palavreando
lavra a condição
se queres escrever
retoca-a de emoção
e beija cada palavra
para que ao lerem
possas ter perdão
se queres escrever
retoca-a de emoção
e beija cada palavra
para que ao lerem
possas ter perdão
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
tenção
nascida para viver
entre conceitos mórbidos
fica e vai
com o tempo de ser
e como tudo que nasce
do nada também morre
entre conceitos mórbidos
fica e vai
com o tempo de ser
e como tudo que nasce
do nada também morre
sábado, 16 de janeiro de 2010
morte orada
depois de naufragas
proponente das intempéries
um inocente silêncio desliza
pela carreteira embriagada
vinolenta loucura
que satisfaz os sonhos tristes
proponente das intempéries
um inocente silêncio desliza
pela carreteira embriagada
vinolenta loucura
que satisfaz os sonhos tristes
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
palavras ritmadas
quero apenas palavras ritmadas
com vida e, alegrias
quero palavras com personalidade
esguias, gordas ou carentes
quero palavras amadas
que saibam ser conscientes.
com vida e, alegrias
quero palavras com personalidade
esguias, gordas ou carentes
quero palavras amadas
que saibam ser conscientes.
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